domingo, 2 de fevereiro de 2014

Vaso Nas Mãos do Oleiro

Um leigo analisa a oração do Senhor
Durante uma visita ao Paquistão, o autor Philip Keller leu Jeremias 18.2, que diz: “Dispõe-te e desce à casa do oleiro, e lá ouviras as minhas palavras”. Então, ele e um missionário foram à casa de um oleiro naquele país. Em seu livro, A Layman Looks at the Lord’s Prayer [Um Leigo Analisa a Oração do Senhor], ele escreve:

Com sinceridade e franqueza pedi ao velho mestre artesão que me mostrasse cada passo da criação de uma obra prima… Em suas prateleiras luziam taças, lindos vasos, e extravagantes vasilhas de uma beleza de tirar o fôlego.

Então, balançando seu dedo ossudo em minha direção, ele nos levou a um galpão fechado nos fundos de sua loja. Quando abriu a pequena porta, um odor repugnante e opressivo de matéria em decomposição me envolveu. Por um instante recuei da borda do poço escuro no chão do galpão. “É aqui que o trabalho começa!” disse ele, ajoelhando-se ao lado do buraco negro e nauseante. Estendeu seu braço longo e fino para a escuridão, e seus dedos hábeis tatearam em meio à argila granulosa, procurando por um fragmento de material que fosse perfeitamente adequado à tarefa desejada.

“Acrescento tipos especiais de ervas à lama”, observou. “À medida que elas apodrecem e se decompõem, seu conteúdo orgânico aumenta a qualidade de aderência da argila. Assim, a argila proporciona uma liga melhor”. Finalmente suas mãos experientes retiraram uma bola de lama escura do horrível poço onde a argila tinha sido trabalhada e misturada por horas por seus pés duros e ossudos.

Com um tremendo impacto, os primeiros versículos do Salmo 40 vieram ao meu coração. De uma forma nova e iluminadora, vi o que o salmista queria dizer quando escreveu, há muito tempo atrás: “Esperei confiantemente pelo Senhor; Ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro. Tirou-me de um poço de perdição, de um tremedal de lama”. Tão cuidadosamente quanto o oleiro seleciona a sua argila, assim Deus com cuidado especial me escolheu…

A grande lâmina de granito, esculpida a partir da rocha bruta das altas montanhas Hindu Kush atrás de sua casa, girava silenciosamente. Ela funcionava por meio de um dispositivo bastante primitivo, movido por um pedal, muito semelhante às nossas antigas máquinas de costura.

Conforme a pedra ia ganhando velocidade, foi-me trazido à memória Jeremias 18.3. “Desci à casa do oleiro, e eis que ele estava entregue à sua obra sobre as rodas”.

Mas o que mais chamou minha atenção naquele momento foi o fato de que além do banco do oleiro, de cada lado dele ficavam duas bacias de água. Ele não tocava na argila, que agora girava rapidamente no centro da roda, uma só vez, sem primeiro mergulhar suas mãos na água. Quando começava a colocar seus dedos delicados e suas palmas suaves no monte de lama, fazia-o sempre por meio da umidade de suas mãos. E era fascinante ver o modo como, rapidamente, mas com precisão, a argila respondia à pressão que lhe era aplicada através dessas mãos umedecidas. Silenciosamente, suavemente, uma graciosa taça começou a tomar forma entre aquelas mãos. A água era o meio pelo qual a vontade e os desejos do mestre artesão estavam sendo transmitidos à argila. A sua vontade verdadeiramente estava sendo feita na terra.

Para mim, essa foi a mais comovente demonstração da verdade simples, porém misteriosa, de que a vontade e os desejos de meu Pai são expressos e transmitidos a mim através da água da Sua Palavra…

De repente, enquanto eu observava, para meu total espanto, vi a pedra parar. Por quê? Olhei mais de perto. O oleiro removeu uma pequena partícula de saibro da taça… Então, tão repentinamente quanto da primeira vez, a pedra parou novamente. Ele retirou outro objeto duro…

De repente ele parou a pedra novamente. Apontou desconsoladamente para uma ranhura profunda e áspera que cortava e desfigurava a lateral da taça. Ela estava arruinada a ponto de não ter conserto! Consternado, ele a esmagou entre suas mãos…

“Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão…” (Jr 18.4). Raramente uma lição chegou a mim com tanta clareza e força. Por que aquela rara e bela obra-prima se estragou nas mãos do mestre? Porque ela havia encontrado resistência. Foi como se um estrondo de verdade irrompesse dentro de mim!

Por que a vontade de meu Pai – a Sua intenção de produzir pessoas verdadeiramente belas – é sempre reduzida a nada? Por que, apesar dos Seus esforços e infinita paciência para com os homens, elas acabam se transformando em um desastre? Simplesmente porque eles resistem à Sua vontade…

A pergunta sensata, investigativa e seca que eu devia fazer a mim mesmo nas imediações humildes daquele simples galpão de oleiro era esta: Vou ser uma peça de louça fina ou apenas uma vasilha para se molhar os dedos à mesa? Minha vida será uma magnífica taça destinada a conter o vinho puríssimo da própria vida de Deus do qual os outros possam beber e encontrar refrigério? Ou serei apenas uma vasilha primitiva onde os passantes molharão seus dedos rapidamente e depois seguirão em frente sem se lembrar dela? Aquele foi um dos momentos mais solenes de todas as minhas experiências espirituais.

“Pai, Seja feita a Tua vontade assim na terra (na argila, em mim) como no céu”.
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FELIZ SEMANA CHEIA DE BENÇÃOS E PAZ A TI E AOS SEUS
A PAZ
Pra Lurdinei